Central privada de abastecimento de alimentos é pioneira no interior do Rio, em projeto criado para combater a fome

Há três anos, o combate à fome e ao desperdício de alimentos ganhou um importante aliado na Região dos Lagos. O Banco de Alimentos do CEASP – Centro de Abastecimento de São Pedro da Aldeia – celebra seu aniversário, neste 31 de maio, consolidado como uma iniciativa de impacto social e ambiental que já destinou mais de 120 toneladas de alimentos à famílias em situação de insegurança alimentar.
Instalado dentro da primeira “ceasa” privada do Brasil, o Banco de Alimentos nasceu com a missão de reaproveitar hortifrutigranjeiros que perderam valor comercial, mas permanecem próprios para consumo. A iniciativa surgiu a partir da percepção de que frutas, legumes e verduras ainda aptos ao consumo eram descartados, devido à alta perecibilidade.
O projeto foi implementado pelo engenheiro agrônomo do CEASP, Márcio Piratello, e estruturado após uma série de reuniões com instituições filantrópicas e representantes da comunidade de São Pedro da Aldeia. O objetivo era unir esforços para combater a insegurança alimentar e reduzir o desperdício de alimentos, com as doações feitas pelos parceiros lojistas e boxistas da Central, ao Banco, onde representantes das instituições beneficentes do município fazem a triagem.
“O Banco de Alimentos representa mais do que a distribuição de alimentos: é um exemplo de mobilização comunitária, solidariedade e sustentabilidade, mostrando que o combate à fome e ao desperdício pode ser construído de forma coletiva e transformadora”, destacou Piratello.
Com o engajamento de voluntários de entidades parceiras, o Banco começou funcionando um dia por semana e já no terceiro mês, ampliou suas atividades para três dias semanais.
Atualmente, cerca de 600 pessoas cadastradas pelas instituições filantrópicas são atendidas mensalmente.
O funcionamento do Banco é totalmente baseado no voluntariado. Três vezes por semana, lojistas e boxistas do CEASP separam os alimentos que perderam valor de comercialização. Os voluntários realizam a coleta, recepção, triagem e distribuição dos produtos, seguindo critérios de segurança alimentar, organização e responsabilidade coletiva.
Os alimentos considerados adequados para consumo são divididos proporcionalmente entre famílias e instituições participantes. Já os itens impróprios para alimentação são destinados à produção de adubo orgânico e ao reaproveitamento de sementes, evitando que o descarte gere impactos ambientais.
“Tivemos alguns desafios ao longo da consolidação do Banco, mas o mais importante deles era conscientizar nossos boxistas e lojistas que comercializam hortifrutigranjeiros dentro do CEASP, que não fizessem doações diretamente a pessoas físicas, no varejo, mas que destinassem o excedente para o Banco. Temos muito a agradecer a esses parceiros que são os principais responsáveis pelo projeto continuar até hoje dando certo”, destacou o agrônomo da central privada de abastecimento de São Pedro da Aldeia.
Ao longo desses três anos, o Banco de Alimentos também desenvolveu uma metodologia própria de organização e gestão, considerada inovadora por funcionar dentro de uma central de abastecimento privada e de forma integralmente voluntária. Entre os princípios estabelecidos estão o compromisso com a segurança no trabalho, ética na distribuição dos alimentos e respeito mútuo entre os participantes.
Além do impacto social, a iniciativa também se tornou referência em responsabilidade socioambiental e tecnologia social, inclusive, recebendo a visita de técnicos do projeto de âmbito nacional, Pacto contra a Fome.
*Maior central de abastecimento -* Localizado às margens da rodovia estadual Amaral Peixoto, em São Pedro da Aldeia, o CEASP possui 158 boxes e 32 lojas para locação, sendo atualmente o maior centro privado de abastecimento de alimentos do Brasil.
Fundado há quatro anos por um grupo de empresários, o empreendimento foi planejado para atender comerciantes, hotéis e restaurantes da região, oferecendo uma alternativa logística mais próxima e segura, sem a necessidade de deslocamento até a capital, em busca, principalmente, de hortifrutigranjeiros.








