Especialista explica por que o equilíbrio entre flexibilidade e cobrança pode se tornar um diferencial para o engajamento das equipes durante grandes eventos esportivos

A cada Copa do Mundo, uma dúvida volta a circular dentro das empresas: afinal, é possível manter a produtividade sem ignorar completamente os jogos? Enquanto algumas organizações flexibilizam horários e criam ações internas para engajar os colaboradores, outras ainda tentam manter a rotina inalterada, apostando em mais controle para evitar distrações durante o expediente.
Mas, para Carol Garrafa, a discussão vai muito além do futebol. Segundo ela, a forma como as lideranças reagem a eventos de grande mobilização coletiva pode impactar diretamente o clima organizacional, a motivação e até a percepção de confiança dentro das equipes.
“A Copa gera envolvimento emocional e altera naturalmente a dinâmica dentro das empresas…quando a empresa desconsidera completamente esse contexto, pode acabar criando um distanciamento desnecessário com os colaboradores”, afirma Carol.
Nos últimos anos, especialmente após as transformações trazidas pelo trabalho híbrido, muitas organizações passaram a rever o conceito de produtividade, priorizando mais autonomia e entrega do que controle rígido de horários.
Nesse cenário, momentos como a Copa acabam funcionando como um teste informal de liderança. “Muitos gestores ainda acreditam que controlar cada movimento dos integrantes do time é a melhor forma de manter a performance. Mas, na prática, os profissionais costumam responder melhor quando existe confiança, equilíbrio e uma liderança conectada à realidade das pessoas”, diz Carol.
Em Copas anteriores, empresas de diferentes setores apostaram em medidas como flexibilização pontual de horários, pausas para jogos decisivos, antecipação de reuniões e ações internas de integração.
Segundo a especialista, o diferencial está menos na ação em si e mais na forma como ela é conduzida. “Não se trata de transformar o expediente em arquibancada nem de ‘liberar geral’ sem critério. O ponto é entender que cultura organizacional também se constrói na maneira como a empresa reage a momentos importantes para as pessoas”, explica.
Para Carol, pequenas adaptações na rotina já podem ajudar empresas a atravessar o período da Copa de forma mais equilibrada, sem comprometer resultados nem o nível de envolvimento das equipes. Segundo a especialista, o segredo está menos em criar regras rígidas e mais em encontrar soluções coerentes com a cultura e a realidade de cada organização.
• Reorganizar agendas em dias de jogos importantes
Segundo Carol, um dos erros mais comuns é insistir em manter reuniões longas ou pautas estratégicas em horários de baixa atenção das equipes. “Essa agenda não precisa acontecer em dia de jogo do Brasil. Ajustes simples evitam desgaste desnecessário e ajudam os profissionais a manterem mais foco e produtividade ao longo do restante do dia”, afirma.
• Alinhar prioridades e entregas com antecedência
Para a especialista, clareza e previsibilidade fazem diferença em períodos de maior dispersão coletiva. “Quando a liderança comunica a hierarquia de tarefas mais importantes de forma objetiva e organiza expectativas antes dos jogos, o time consegue se planejar melhor sem comprometer entregas importantes”, diz Carol.
• Permitir flexibilidade pontual quando houver viabilidade
Flexibilidade não deve ser confundida com falta de comprometimento ou queda de performance. Segundo a neurocientista, vale a pena apostar em alternativas como ajustes pontuais de horário, liberação antecipada em dias de jogos importantes, pausas planejadas ou até espaços coletivos com transmissão das partidas para integrar as equipes. “Empresas maduras entendem que pequenas adaptações na rotina costumam gerar mais adesão das equipes do que políticas excessivamente rígidas. O equilíbrio costuma trazer resultados melhores do que o excesso de cobrança”, afirma a CEO da Santé.
• Evitar excesso de controle e monitoramento
Segundo Carol, lideranças que tentam compensar o período com mais vigilância e fiscalização podem acabar gerando tensão desnecessária. “Produtividade sustentável não nasce do excesso de controle. Ambientes muito rígidos tendem a desgastar a relação entre gestores e seus times”, explica.
• Usar o momento como oportunidade de integração
Para a especialista, grandes eventos esportivos também podem ser utilizados como ferramenta de conexão entre as equipes. “A Copa cria um senso coletivo muito forte. Quando a empresa consegue aproveitar esse momento de forma saudável, isso pode fortalecer vínculos, melhorar o clima organizacional e aumentar o senso de pertencimento”, afirma Carol.
• Adaptar decisões à cultura da empresa
Carol ressalta que não existe fórmula única para todas as organizações. “O mais importante é tomar decisões coerentes com a cultura da empresa e com a realidade do negócio. As pessoas percebem quando existe coerência entre discurso, prática e comportamento da liderança”, conclui.
Sobre Carol Garrafa: engenheira de formação, com especialização em Neurociência e MBA em Finanças além de MBA na EM Lyon (França), Carol Garrafa é a idealizadora do Método Santé, iniciativa que já transformou equipes corporativas e impactou milhares de pessoas ao integrar propósito, produtividade e bem-estar. É autora do livro People Skills: uma vida de propósito (Editora Dialética). Palestrante, mentora e conselheira de empresas, leva sua experiência em estratégia e People Skills como ferramenta de potencialização dos cérebros e resultados para o ecossistema corporativo. Antes de dedicar-se ao estudo profundo do comportamento humano, construiu uma carreira sólida no mercado financeiro, atuando em instituições como Itaú Unibanco e Coca-Cola, onde liderou áreas ligadas à estratégia e negócios digitais.
Sobre a Santé: A Santé é uma consultoria especializada em People Skills e neurociência aplicada à liderança, fundada por Carol Garrafa. Com metodologia própria, a empresa atua no desenvolvimento humano dentro das organizações, promovendo equilíbrio entre performance, propósito e bem-estar. Já impactou mais de um milhão de pessoas e mais de 150 empresas, entre elas TikTok, iFood, Azul, Itaú, Porsche Consulting e Bayer. A Santé acredita que “felicidade gera lucratividade”, e que o verdadeiro sucesso nasce quando líderes aprendem a equilibrar razão, emoção e propósito. Para saber mais acesse: www.sante.com.vc







