Samba: orgulho nacional tipicamente carioca


"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé."

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O samba é um dos ritmos mais autênticos e preferidos dos brasileiros. Embora seja de origem africana, o samba praticamente nasceu no Rio de Janeiro e ganhou diversas formas e variações. Uma delas é o samba enredo, típico das Escolas de Samba que encantam multidões do mundo inteiro durante o Carnaval.

Dentre as vertentes do samba, o pagode é uma das mais populares, bem como o partido alto, o samba de breque, o samba de roda e o samba raiz.

Criado a partir dos batuques trazidos pelos negros africanos, o ritmo também era associado a elementos religiosos, por meio de rituais de música, dança, percussão e movimentos do corpo. O improviso de versos nas rodas, característica do Partido Alto, é a essência do samba tipicamente carioca. Donga, que registrou, em 27 de novembro de 1916, aquele que ficou conhecido como o primeiro samba registrado em gravadoras: “Pelo telefone”, foi um dos expoentes desse ritmo tão cativante.

Almirante, Sinhô, Wilson Batista, Noel Rosa, Cartola e Nelson Cavaquinho também se tornaram referência no início do século XX.

Com o passar dos tempos, o samba foi se consolidando, deixou os morros e invadiu o asfalto, quebrando preconceitos e conquistando a elite da sociedade graças a versos de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Jorge Aragão, Sombrinha, Xande de Pilares e muitos outros.

ESCOLAS DE SAMBA – O fenômeno das Escolas de Samba tomou conta do cenário carioca depois da fundação da agremiação Deixa Falar, em 1928, considerada a primeira Escola de Samba. A partir daí surgiram grandes escolas como Portela, Mangueira, Império Serrano, Salgueiro, Beija Flor, Imperatriz Leopoldinense, Mocidade Independente de Padre Miguel e muitas outras. A Portela, que junto com a Mangueira e a Deixa Falar são consideradas a tríade das escolas fundadoras do carnaval carioca, é a que possui o maior número de títulos no Rio de Janeiro. Com 22 campeonatos (o último em 2017), ela é carinhosamente chamada de “A Majestade do Samba” e tem como símbolo uma águia e as cores azul e branco.

O samba é tocado basicamente por instrumentos de percussão e acompanhado por instrumentos de corda. Em algumas vertentes foram acrescentados instrumentos de sopro.

Surdo
Como uma espécie de coração, o surdo marca a pulsação da música e mantém o ritmo até o fim do desfile.
Tan-tan
Para tocá-lo, o músico bate com a palma da mão, sem encostar os dedos, marcando o ritmo no pagode e na escola de samba.
Tamborim
Diferente do tan-tan e do surdo, ele não serve para manter o ritmo do samba. O que importa é a criatividade do músico na hora de usar a baqueta.
Pandeiro
O pandeiro é a maior referência da música brasileira especialmente do samba. Além do som da mão batendo na membrana, ele solta um barulho gostoso com o balanço das soalhas (argolas que ficam presas em volta).
Reco-reco
Com esse ruído repetitivo, o som da bateria de escola de samba fica forte e encorpado.
Violão
Nas rodas de samba, suas seis cordas dedilhadas fazem a música ganhar melodia.
Cavaquinho
Parece um violão pequeno, mas só tem quatro cordas e o som é mais agudo.
Cuíca
É o instrumento mais misterioso do samba. Parece um tambor, mas o som é produzido pela mão que fica por dentro do instrumento. Lá dentro há apenas uma vareta que, esfregada com um pano molhado, vibra e faz a membrana vibrar também. Do lado de fora, a outra mão do músico vai controlando as notas musicais com a ponta dos dedos.

MULHERES NO SAMBA - Tia Ciata foi uma das responsáveis pela sedimentação do samba carioca. Segundo o folclore de época, para que um samba alcançasse sucesso, ele teria que passar pela casa de Tia Ciata e ser aprovado nas rodas de samba das festas, que chegavam a durar dias.

A partir do final da década de 60, início da de 70, as mulheres começaram a despontar no mundo do samba, que, até então, era dominado pelos homens. Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra e Dona Ivone Lara abriram as portas para grandes artistas como Clara Nunes, Elza Soares, Beth Carvalho, Leci Brandão, Alcione, Teresa Cristina e Roberta Sá, por exemplo.

THAÍS MACEDO – A cantora Thaís Macedo surgiu no interior do Estado como uma revelação e hoje já é uma grata realidade da música popular brasileira. Considerada a mais nova sensação do samba carioca, ela vem conquistando o mundo com seu suingue, malemolência e, principalmente Borogodó. Foto
Segundo Thaís, o samba mais do que só um estilo musical. É um movimento, um estilo de vida que promove grandes encontros, além de ser um símbolo de resistência. “Sempre gostei de cantar música Brasileira, mas foi no samba que me senti mais à vontade e onde as pessoas também passaram a me identificar. Acho que eu não escolhi, foi o samba que me escolheu!”, afirmou. Foto
No que diz respeito ao preconceito, Thaís acredita que as mulheres vêm lutando durante muito tempo pelo seu espaço e no samba não é diferente. “Em um século de samba, apenas na segunda metade é que elas começaram a entrar na roda e hoje, graças à Clementina, Jovelina, Dona Ivone, Leci Brandão e tantas outras, podemos ter representatividade. A luta continua, mas já temos respeito e prestígio no meio”, destacou a sambista que sempre batalhou o seu espaço. “Busquei, corri atrás e me preparei para fazer o que amo. Me sinto com uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo muito lisonjeada por ver tantas pessoas depositando expectativas no meu trabalho”, completou.

FILHAS DE BAMBA – Dispostas a quebrar cada vez mais o preconceito da presença feminina no mundo samba, as irmãs Gisele e Natália Lutterbach fundaram, em fevereiro de 2011, o grupo Filhas de Bamba. O gosto pelo samba foi herdado pelo pai. “Nosso pai é sambista e fomos criadas nas rodas que ele participava. Crescemos ouvindo muito samba, com referência como Cartola, Clara Nunes, Clementina e Ivone Lara, por exemplo. Portando, foi uma escolha natural”, explicou Gisele. Foto
Com relação ao preconceito, Natália diz que serve para garantir uma motivação a mais na hora das apresentações. “Antes de nos ouvir, muitas pessoas nos olham com desconfiança. Mas quando começamos a tocar, tudo cai por terra porque temos um diferencial que é a autenticidade. Apresentamos um samba de raiz com uma roupagem mais modernos e, com isso, conquistamos um público maior”, contou.

As Filhas de Bamba estão participando do Circuito Bambas da Boa, projeto da Cerveja Antarctica que resgata o samba de mesa, e foram escolhidas como as representantes para gravar o clipe do Projeto.

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