Consumo de “conteúdo adulto” cresce na pandemia

Foto: Divulgação

A pandemia do Coronavírus provocou uma mudança de comportamento em todo o mundo desde que foi deflagrada, há pouco mais de um ano e meio. Enquanto alguns setores, como o dos shows e espetáculos que tiveram uma queda brusca, outros cresceram significativamente, principalmente na internet. Essa situação pode ser comprovada quando o assunto é a produção de “conteúdo adulto”, por conta deste período de isolamento social.

A falta de contato físico, por medo do contágio do Covid-19, tem deixado muitas pessoas carentes buscando alternativas para ter, ao menos, uma relação virtual. Aplicativos de relacionamento registraram um aumento de inscritos e na duração de conversas entre os adeptos, bem como o tempo médio de pessoas ligadas em canais adultos como Sexy Hot e Plaboy TV.

Profissionais do sexo também tiveram que se reinventar por conta do contato e passaram a criar formas de manter uma renda na própria internet. Para isso, passaram a utilizar o recurso do Live Streaming, que são transmissões ao vivo onde os clientes podem pagar por um conteúdo inédito e exclusivo.

De acordo com Valeska (profissional do sexo que preferiu não revelar seu verdadeiro nome), apesar da pandemia ter reduzido sua renda no início pandemia, a situação tem melhorado com novas possibilidades. “Eu e meus clientes, apesar de fixos na grande maioria, decidimos pelo afastamento com medo do contágio. No entanto, nos mantivemos em contato virtual. Eles passaram a me pedir vídeos e vi aí uma forma de manter meus ganhos e garantir a segurança para minha saúde. Hoje em dia praticamos sexo virtual de forma segura e bem rentável para mim. Conheço muitas meninas que passaram a atender assim também”, explicou.

Cinco universidades brasileiras – Uerj, UNB, UFRGS, UFPE e UFMG – estão desenvolvendo um estudo para que os reflexos nas práticas sexuais dos brasileiros sejam entendidos, principalmente no período da pandemia, tendo em vista a mudança de comportamento nos assuntos ligados ao amor e ao sexo.

Para uma das coordenadoras dessa pesquisa, denominada Sexvid, a percepção é de que os usuários de aplicativos estão demorando mais nas conversas porque há uma necessidade de saber novos hábitos de prováveis parceiros. “Isso para entender como o parceiro está se cuidando, para tentar mapear um estilo de vida, calcular a distância, até para saber se para encontrar será preciso pegar transporte público ou ir a pé, se está trabalhando remoto ou não”, explicou a doutora em Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paula Sandrine.

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