O novo Ensino Médio: do que estamos falando? (Parte I)

Foto: Weverthon Manhães

Sabemos que o Brasil não “peca” por ausência de leis, mas pelo não cumprimento delas. Leis não faltam, o que falta na maioria das vezes é vontade política de colocá-las em prática e, em outras vezes, o discernimento entre um discurso bonito e a viabilidade do que ele diz.

Na última coluna falei da escola como um espaço de crise em função da coexistência de uma estrutura antiga com uma nova geração de estudantes ativos em relação à busca da aprendizagem. Contudo, na estrutura antiga, o novo perfil de estudante que vive uma verdadeira revolução na aprendizagem ainda está longe de ser um sujeito participante no processo de ensino.

É bastante razoável (Talvez eu possa até mesmo dizer “urgente”) que se pense em novas formas organizacionais que contemplem esse quadro educacional desencontrado. E, a despeito de muitas críticas, (Muitas bastante pertinentes) a gênese do chamado “Novo Ensino Médio” está centrada na busca de maior conexão entre os muitos atores do processo de ensino e aprendizagem, atores, hoje, em grande descompasso.

A LEI:
A alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que estabeleceu uma mudança na estrutura do Ensino Médio é a 13.415/2017. Uma das mudanças mais significativas é o aumento anual de 200 horas (a serem implantadas até 2022). Aí entramos no que chamarei de Dilema número 1: “Se a grande quantidade de leis não garante a qualidade e a justiça social, o aumento de horas seria garantia de qualidade da escola brasileira? Absolutamente não sou contra o aumento de horas, mas do aumento de horas que não se transformarem em aprendizagem (em todos os seus vieses). O que se espera é que essas horas possam ser efetivamente transformadas em formação de qualidade”.

Na descrição do MEC sobre o Novo Ensino Médio há a seguinte justificativa [Retirando a crase equivocadamente usada pelo MEC antes da palavra todos]: “A mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade”. Nesse ponto temos três questões, três novos dilemas: Dilema número 2: como será feita essa mudança e qual a garantia da educação de qualidade?”; Dilema número 3: “eu aproximaria a escola à transformação da realidade. Claro, não me refiro às questões culturais e identitárias, o papo é outro! Dilema número 3: São muitas as complexidades do mundo do trabalho e é urgente repensá-las, mas... Muita calma nessa hora, pois nossas experiências com a pedagogia tecnicista foi... Digamos... Um tanto traumática. Sem uma característica dialógica com o contexto social pode-se produzir robôs de carne e osso, tipo, Another brick in the wall, lembra?

É claro que no novo contexto social do qual a escola faz parte é fundamental que se pense sobre as relações de trabalho e a aproximação delas com a escola. Isso, de fato, é essencial para um projeto de mundo e um projeto de futuro aos estudantes. Mas é indispensável que seja bem pensado. Com olhares mais amplos do que em outros momentos de nossa história. A formação do trabalho não pode vir desacompanhada de valores éticos, de criticidade, do diálogo e da dialética, entre outros aspectos.

O QUE DEVEM FAZER OS GESTORES EDUCACIONAIS?
Imediatamente é entender com suas equipes de trabalho cada possibilidade da nova proposta. Fazer uma leitura social de sua comunidade escolar. Lidar com realidade dentro do cenário para dar vida digna aos seus atores. Compreender o sentido de novas terminologias que vêm a reboque da nova lei: Itinerários formativos, BNCC, distribuição de disciplinas e muitos outros. Contudo, é sobretudo, HORA DE CADA GESTOR APROVEITAR A CHANCE E TRANSFORMAR UMA ESCOLA ARCAICA EM UMA ESCOLA SIGNIFICATIVA, EFETIVA E ATRAENTE.
É isso aí. No próximo papo falaremos sobre os “itinerários formativos”. Até lá
Dúvidas, críticas e sugestões: ceo@cpumosaico.com.br

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