Miserê

Foto: Divulgação

Depois de um tempo afastado, por motivos pessoais, resolvi que a volta da coluna deveria ser para falar de um assunto relevante que causou uma indignação na grande parte da população brasileira: a declaração e um procurador do Ministério Público de Minas Gerais (não vale citar o nome do cidadão), de que não conseguiria viver com seus “modestos” rendimentos de R$24 mil, valor considerado um miserê para os seus padrões.

Confesso que esperei baixar a poeira para retomar esse assunto. Estou achando graça dessa situação porque não posso acreditar que a pessoa tenha falado isso sério. Em um país onde o salário mínimo é de R$ 998, valor pago a maioria dos trabalhadores brasileiros que sustentam suas famílias, ter um rendimento de R$ 24 mil é um acinte.

O mais engraçado (ou seria deprimente?!) foram algumas alegações como a de que ele seria obrigado a deixar de gastar R$20 mil no cartão de crédito para gastar SOMENTE R$ 8mil. Por conta disso, afirmo que não podemos levar uma pessoa como essa em consideração.

Fico imaginando o que esse cidadão vai deixar de fazer com essa redução de R$ 16mil no cartão de crédito. Dentre as opções sugiro:

- Negociar com o rapaz do carro do ovo. Ao invés de 30 ovos por R$10.... poderia tentar R$ 7 ou R$7,50

- Ao invés de comprar McLanche Feliz para seus filhos, optar pela promoção de dois clássicos por R$14,90

- Poderia apelar, se ainda assim ficar pesado para o procurador, para promoção de salgado + suco por R$6,50 na maioria das pastelarias chinesas (pelo menos no Rio de Janeiro)

- Ir à feira livre no horário da xepa que sempre vai encontrar preços melhores

- Promoção do litrão da Glacial por R$ 6

- Trocar o plano de saúde pelo Sistema Único de Saúde

- Reaproveitar o copo de requeijão

- Trocar sua residência em um condomínio que as taxas são de R$4.500 por uma unidade habitacional do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal

- e muitas outras que o povo brasileiro que levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima está acostumado a fazer todos os dias.

E pensar que devem existir muitos iguais a esse cidadão ou até mesmo como o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima que teve o pedido de afastamento de suas funções e a indisponibilidade de seus bens feito pelo Ministério Público, por conta de uma investigação de desvio de verbas públicas.

Para nós, meros mortais, só nos resta sobreviver com o nosso digno salário que poderia ser maior, é claro, mas é recebido com o suor do trabalho de cada dia, com muita honra.

Não se esqueçam que ano que vem tem eleição e a nossa maior arma é o voto.

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