O importante é o final feliz

Foto: Divulgação

Como estou dedicando um tempo do meu dia só para minhas reflexões, tenho visto cada coisa que até mesmo Deus duvida. O bom é que tenho me divertido muito e dado boas risadas com situações estapafúrdias que, se acontecessem conosco, seriam trágicas ao invés de cômicas. Mas como não foram comigo, sigo dando boas risadas. Na verdade, algumas já aconteceram e eu ri do mesmo jeito... depois de morrer de vergonha.

Por conta do calor, na semana passada, convidei uma amiga para tomar um sorvetinho no final da tarde. Estávamos batendo um papo bem tranquilo, enquanto saboreávamos o refrescante sorvete, quando notamos uma mãe, acompanhada do filho de mais ou menos 9 anos, entrar na sorveteria.

A briga entre os dois começou na hora da escolha do sabor. Enquanto a mãe queria que o menino tomasse um sorvete de frutas por ser “mais saudável”, o menino queria optar pela casquinha que sai naquelas máquinas de fast food.

Vendo aquela situação, a atendente tentou ajudar a mãe e informou que o sorvete da máquina estava um pouco mole. No entanto, de nada adiantou. O menino (uma gracinha por sinal e com uma “personalidade forte”) encasquetou que queria o sorvete da máquina e ainda queria o misto, que tem o sabor de baunilha e chocolate.

Depois de uns 20 minutos de discussão, o menino acabou vencendo o cabo e guerra. A mãe escolheu o seu (se não me engano de abacaxi) e o filho, o bendito sorvete da máquina bem caprichado (se não me engano, o sorvete dava umas seis voltas acima da borda da casquinha).

Antes de dar a primeira lambida, a mãe deu, mais ou menos, uns duzentos conselhos para o garoto “tomar cuidado para não cair”, “não se sujar”, “comer com educação” e coisas do tipo que toda mãe fala para seus filhos (Será que vou ser assim com minha filha?).

O menino não queria saber de nada, nem dava ouvidos para a faladeira. Pela sua fisionomia, ele apenas estava preocupado em se saborear o seu sorvetão. Mas como praga de mãe, só madrinha tira, o garoto, após dar dois passos e poucas lambidas, tropeçou numa cadeira e derrubou a sua guloseima inteira no chão, ao ponto da casquinha ficar presa em pé de cabeça para baixo.

Por um segundo imaginei que aquela cena representava para aquele menino, a mesma que coisa que a queda das torres gêmeas nos Estados Unidos. Todos que estavam na sorveteria pararam e ficaram esperando para ver a reação do jovem que tinha acabado de ver seu sonho caído no chão.

Aos poucos, podíamos ver a transformação em seu rosto. As lágrimas substituíram o sorriso e as palavras foram trocadas por um choro incontido. Antes da situação se transformar em uma calamidade pública, a atendente prontamente trouxe prontamente um outro sorvete, com muito mais confeitos. Todos aplaudiram a atitude do pessoal da sorveteria e o menino, entre um soluço e outro, uma lambida e outra, foi embora feliz da vida.

Depois de rir da situação (eu e a grande maioria das pessoas que estava na sorveteria), refleti e vi como precisamos nos colocar no lugar do outro. Se fosse comigo, certamente eu iria chorar também.

O importante é que essa história (engraçada para uns e trágica para outros) acabou com um final feliz.

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