Autismo e Neurodiversidade: Vamos pensar sobre isso?

Foto: Divulgação

Você certamente já ouviu falar de autismo, seja nas mídias sociais, filmes ou televisão. Talvez conheça alguém que tem um filho, filha, primo, parente, irmão autista.

Fátima de Kwant, jornalista, escritora e pesquisadora brasileira que vive na Holanda e é hoje referência sobre autismo no mundo, em seu blog Autimates Brasil nos diz que

“O autismo não é uma doença, mas um distúrbio do neuro desenvolvimento que afeta a capacidade de um indivíduo se comunicar, de interagir socialmente, e de se comportar de acordo com as regras da sociedade em que vive. O autismo pode ter consequências em vários setores da vida cotidiana, como em cuidar de si mesmo, morar só, desenvolver-se de um modo geral, trabalhar, obter educação escolar, manter relações pessoais, etc.”

Tem gente que acredita que estamos vivenciando uma “epidemia” de autismo na sociedade, pois de uns anos para cá o assunto tem sido muito mais discutido. Aumentou o número de autistas da população? Talvez, há controvérsias e muitas pesquisas sobre o assunto, que relacionam o autismo a certas condições ambientais e a alguns hábitos da nossa sociedade, tais como o uso de agrotóxicos, alguns medicamentos e até alimentos. Mas nada disso tem comprovação científica, e o que mais vemos neste campo é uma série de “achismos”. Há um consenso mundial, no entanto, sobre o aumento dos diagnósticos dos autismos cada vez mais cedo, o que é muito positivo pois significa que mais crianças e mais famílias terão acesso à terapias e tratamento adequados para melhorar a condição dos autistas. Há mais informação e pesquisa sobre o assunto, e por isso, temos a impressão que há mais casos!

Os autistas sempre existiram, mas muitos deles eram escondidos pelas famílias, no caso dos mais graves, ou simplesmente não eram diagnosticados, no caso dos mais leves. Ou eram diagnosticados pelo seu sintoma e comorbidades (outros transtornos ou quadros que pode estar associados ao Transtorno do Espectro do Autismo, como ansiedade, depressão, transtornos da aprendizagem, epilepsia). Aumentar a conscientização das pessoas e da sociedade sobre o que é autismo, e quais as formas adequadas de intervenção e tratamento só faz com que mais pessoas tenham acesso à informação e diminui o preconceito que ainda existe sobre qualquer pessoa que tenha um comportamento diferente da “norma”, os ditos “neurotípicos” ou “normais”.

Acontece que o conceito de “normalidade” tem sido constantemente discutido e revisto pelas ciências, sobretudo pela Neurociência, que cada vez mais pesquisa sobre as conexões neuronais em nosso cérebro e nosso comportamento, tentando entender o funcionamento do ser humano e os transtornos que causam desordem e sofrimento. Uma das conclusões é que a neurodiversidade humana é um fato, somos todos diferentes, mas compartilhamos características funcionais que são comuns à nossa espécie. Por isso não podemos afirmar que autismo, síndrome de down, hiperatividade, epilepsia, dislexia, albinismo, daltonismo, entre outros, sejam doenças ou transtornos. São características ou variações da neurodiversidade humana, e podem ou não causar sofrimento ao sujeito com sintomas e reações adversas, que variam e são diferentes para cada pessoa.

O que causa mesmo sofrimento às pessoas autistas, e a todos que são “diferentes” é o preconceito, é ser tratado como inferior, é ser olhado com estranheza, é a falta de empatia, é a agressão e o desrespeito. E isso tudo pode ser evitado (ou curado) com conscientização, informação, empatia e amor. Procure conhecer mais, abra sua mente, somos todos parte do mesmo mundo, dividimos o mesmo planeta, como dizia uma antiga canção “Vamos precisar de todo mundo/Pra banir do mundo a opressão/Para construir a vida nova/Vamos precisar de muito amor”.

Vamos juntos?

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