Papo Psi: Considerações Natalinas (ou “Então é Natal!”)

Foto: Divulgação

Então é quase Natal, e já começamos a ver a cidade decorada, a ouvir aquela musiquinha natalina (onde certa cantora da MPB ressurge pra nos cobrar o que fizemos ao longo do ano), a ficar com a agenda cheia de confraternizações de final de ano no trabalho, na escola, na igreja...

A lista de compromissos (e de presentes!) nos assombrando, os planos de onde passaremos a data, ou o planejamento das férias. Tudo fica frenético, a cidade cheia e o calor do verão já dando seu ar.

Um prato cheio para o aumento da tensão e da ansiedade, das cobranças, das preocupações. O imperativo de ser feliz a todo custo se torna quase palpável e são muitas as pessoas que entram em crise nesse período, por diversas razões. Na minha opinião, uma delas é que as pessoas se esquecem qual é o sentido do Natal. Muita gente nem se lembra que era para ser a celebração de um aniversário muito especial, porque estão distraídos com as luzes, o Papai Noel, o consumo, os presentes. Para muitos, é só um momento de estar em família, com as pessoas queridas.

Este ano, entre tantas mudanças e crises vivenciadas no Brasil e no mundo, vimos o crescimento de rivalidades políticas e ideológicas que causaram desavenças entre amigos e familiares, as quais não nos cabe julgar, nem entrar no mérito. Mas é fato que dizem por aí que este ano a Ceia de Natal em família vai ser, para alguns, um tanto tensa.

Então, pensando na manutenção da saúde mental e integral de cada um, e em estratégias para reduzir a ansiedade e o stress das festas de final de ano, proponho uma trégua: Vamos pensar no significado do Natal??

A palavra Natal, nos ensina a etimologia, em nosso idioma já foi nātālis no latim, derivada do verbo nāscor (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. A festividade, ou celebração da data, é muito mais antiga do que o Cristianismo Ocidental, e existe em várias culturas ancestrais para marcar a passagem do solstício de inverno no Hemisfério Norte, a noite mais longa do ano, que acontece entre 22 e 25 de dezembro.

São muitas as simbologias que compõe o que hoje conhecemos como Natal, desde os enfeites, a árvore, as comidas, a troca de presentes, a figura do Bom Velhinho. Mas de todos os símbolos, o que nos interessa trazer à tona neste momento, é a ideia de um tempo de renascimento de coisas novas, de renovação de forças, de crescimento interior.

A celebração do Natal está relacionada com a nossa capacidade de reviver a esperança. Não é, por isso, por acaso que os antigos cultos de Mitra do Império Romano, inspirados num culto de origem persa, as Saturnálias, uma festa celebrada em honra do deus Saturno e do Sol Invictus (o “sol invencível”) e, mais tarde, o próprio cristianismo, atribuíram a esta época do ano o nascimento da luz.

Segundo a tradição cristã, o Cristo é “o Sal da Terra e a Luz do Mundo”, ficando clara a escolha da data para uma das principais festas do calendário católico, juntamente com a Páscoa.

Em termos simbólicos, isto significa que é preciso chegar ao máximo de escuridão para haver um vislumbre, mesmo que tênue, da luz. Significa a crença na nossa capacidade, muitas vezes desacreditada por nós mesmos, de ultrapassar as dificuldades, porque é isso que histórica e culturalmente a noite representa.

Mais do que uma festividade cristã, o Natal é um momento de reunir a família à volta de uma grande mesa e celebrar, com cânticos e doces, por quaisquer que sejam as razões, a luz num mundo onde, por vezes, a escuridão parece prevalecer.

Depois de uma longa noite e um período de escuridão, a luz retorna. Tempo de deixar pra lá tudo que já não nos serve, sejam roupas e sapatos, ou pensamentos limitantes e rancores. Estar perto de quem nos faz bem, que nos ama como somos, sem julgamentos e, principalmente, de acender as luzes na nossa alma. “E precisamos, todos, rejuvenescer”, diz a canção.

Que seja um Natal de muito amor, luz e paz para todos.

Até o ano que vem!

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